A República de Curitiba precisa ser trocada

Todo tipo de mudança é arriscada no Brasil, pois se pode contar muito pouco com o respeito das pessoas às regras. Por outro lado, sem mudar, quase sempre não se progride ou, ao menos, não num ritmo bom.

É preciso parar de só levantar pontos positivos ou negativos da Lava Jato. A análise deve ser mais complexa. A operação tem efeitos positivos, mas, por não ir atrás de todos de forma neutra, pode causar mais custos do que benefícios ao final. Seria interessante trocar as peças da Lava Jato e verificar se outras pessoas não teriam mais eficiência na caça a políticos de todos os partidos, algo que claramente não aconteceu até agora.

No caso de trocar as peças da tal “República de Curitiba”, há um enorme receio de que tudo termine em “pizza”. Mas, e hoje, já não está terminando? A prisão de apenas políticos do PT e de pessoas ligadas, como se viu nas eleições, criou uma caricatura falsa de que o problema da corrupção do país é o PT. Isso provavelmente vai continuar até 2018.

Talvez as pessoas tenham se esquecido de que o PSDB governou de 1995 a 2002, tendo feito pouquíssimo ao longo desses 8 anos, além de ter criado inúmeros problemas graves que duram até hoje, como o horroroso sistema tributário repleto de privilégios para ricos.

Se é para prender apenas um lado, nada mudará no país, apenas uma troca de bandidos petistas por bandidos tucanos, continuando os PMDBistas e outros sorrindo, livres, leves e soltos.

Eduardo Cunha continua solto com a esposa e rindo da cara da sociedade, enquanto Guido Mantega foi preso sem existência dos critérios legais para tanto e solto algumas horas depois por receio de Sérgio Moro de perder pontos com a sociedade por prendê-lo enquanto a sua esposa estava no hospital.

O juiz da Lava Jato tirou dezenas de fotos com membros do PSDB nos últimos meses. Basta uma simples consulta ao Google para achar fotos com João Dória e vários dos principais nomes do partido. Nunca se viu uma foto de Moro com alguém de esquerda.

Ninguém com mínima sã consciência pode continuar negando que a Lava Jato é seletiva, sobretudo após ficar semanas sumida e aparecer prendendo membros do PT alguns dias antes das eleições.

O problema é como elevar a efetividade da operação de modo a fazer com que ela prenda também membros do PSDB, do PMDB e de outros partidos, inclusive aqueles da cúpula de atuais governos federal, estaduais e municipais.

Já se vão quase 2 anos de Lava Jato e, para além da caça ao PT, que é boa para o país, apesar de todos os exageros, arbitrariedades, bizarrices midiáticas etc., pouco se avançou. As delações da Odebrecht e da OAS se arrastam, e hoje a Polícia Federal falou em não obter mais delações.

É preciso trocar o juiz Sérgio Moro, trocar os procuradores do MPF e os membros da Polícia Federal envolvidos na Lava Jato. O ideal era encontrar pessoas realmente honestas e dispostas a tocar uma operação séria e ir realizando substituições aos poucos, para que não haja risco de perda de informações, do fio da meada. No entanto, o governo federal atual não tem nenhum interesse nisso. Pelo contrário, ele já fez trocas na PF com o objetivo de manipulá-la.

É triste, mas há grandes riscos de a Lava Jato acabar de maneira muito pior do que a operação na Itália.

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