Eleições negam a política e mostram emergência na renovação

Do ponto de vista pragmático, ou seja, de quem foi e quem não foi eleito, pode-se concordar com a leitura de muitos sobre as eleições de ontem: o PSDB ganhou e o PT perdeu.

Apesar de que muitos não queriam acreditar nisso, era evidente que, após o linchamento midiático do PT, boa parte dele merecido, o partido chegaria completamente enfraquecido às eleições. Se parte do STF e da República de Curitiba tinha esse interesse, como muitos dizem, deve ter estourado champagnes ontem, pois o resultado foi em boa parte provocado por eles.

Espera-se que, a partir de agora, os políticos de outros partidos, a exemplo do glorioso Eduardo Cunha, e pessoas ligadas a eles possam ser presas, assim como possam ser devidamente investigadas as inúmeras delações contra Michel Temer, José Serra, Aécio Neves e outros.

Os números de abstenções, nulos e brancos foram gigantescos e mostraram como aumentou a aversão à política no Brasil, que sempre foi bastante grande. Com uma população que não recebe educação adequada, nem mesmo boa parte da elite, e com uma grande imprensa extremamente manipuladora, não era difícil prever os resultados de ontem, que muitos negaram ser possíveis, inclusive eu.

No Rio de Janeiro/RJ, houve aproximadamente 1/4 de abstenções, sem falar nos votos brancos e nulos. Ao todo, eles ultrapassam 40% dos votos totais do município. As pessoas optaram pela praia e outros afazeres em lugar de escolher quem vai governar sua cidade nos próximos quatro anos. Mesmo os que foram lá, boa parte preferiu registrar seu voto “contra todos eles”. Isso é muito sério e precisa ser analisado com cuidado.

Em São Paulo/SP, os números são semelhantes. Abstenções estão em um pouco mais de 21% dos eleitores. Somadas com nulos e brancos, o total é de 3.096.304 eleitores, ou seja, um pouco mais do que os 3.085.187 votos que elegeram João Dória ainda no primeiro turno.

Em Salvador/BA, os números de abstenções também ultrapassam 1/5 do eleitorado. Se somadas com brancos e nulos, elas totalizam algo em torno de 35%. É preciso, portanto, ter muito cuidado com a divulgação dos votos válidos, pois dá uma sensação de que a aprovação de ACM Neto é muito maior do que ela realmente é.

O neto de ACM, o político que mais esteve no poder na Bahia – e, é claro, em Salvador/BA – e que tornou a cidade tão desenvolvida, educada e segura como ela é hoje (atenção: forte ironia!), recebeu 982.246 votos, enquanto que a soma das abstenções, nulos e brancos é 620.622.

Deste modo, o que as eleições realmente revelam é um desinteresse da população pela política e o aumento da sua negação, reforçando aquela sensação de que todo político é ladrão e que não faz tanta diferença em quem votar.

A mídia, como sempre, fez uma diferença marcante e políticos com mais poder econômico obtiveram grande sucesso, como João Dória Jr. e ACM Neto, cuja família é dona da emissora da Rede Globo na Bahia.

É preciso que as pessoas realmente preocupadas com o país, e não apenas com o poder e o dinheiro, se unam para reconstruir a política brasileira com base em honestidade; boas intenções para com todas as classes, mas foco em fazer a maioria de baixo ascender; e conhecimentos teóricos e práticos sólidos de políticas públicas.

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