Veja x Carta Capital: qual a mais ideológica?

É muito comum, desde o momento anterior às eleições de 2014, se fazer comparações entre Veja e Carta Capital, como se fossem equivalentes dos dois polos em guerra no país. Mas até que ponto isso faz sentido?

A Veja é da Editora Abril, de propriedade da família Civita, uma das mais ricas do planeta. Dentre as revistas da editora estão, além da Veja: Exame, Você S/A, Super Interessante, Caras e outras. Se você já percebeu que essas revistas vêm se aproximando das ideias vendidas pela Veja nos últimos tempos, não é mera coincidência.

A Carta Capital é de Demetrio Carta, jornalista italiano, naturalizado brasileiro, conhecido como Mino Carta, quem “criou” a Veja e “mandou” nela por um bom tempo, nos idos da década de 70, quando a revista era bem mais respeitada. Mino Carta também criou a Isto é, outra que vem se aproximando hoje do que a Veja se tornou.

É evidente que Veja e Carta têm fins de defender uma certa corrente político-ideológica, mas isso não é em si um problema. Particularmente, prefiro que os veículos de mídia brasileiros procurem se tornar mais neutros, porém isso apenas vem com o próprio progresso institucional de cada país, lembrando que neutralidade ideológica não existe.

Sendo ideológico, ao menos é preciso ser honesto. Em 2014 a Carta Capital publicou editorial, como fazem os grandes veículos de imprensa no mundo, firmando apoio em prol da candidatura de Dilma Rousseff.

Os veículos oposicionistas, muito mais incisivos do que a Carta Capital em sua participação no cenário eleitoral, não fizeram o mesmo, realizando, como na última década, defesas veladas de pessoas e ideias.

Num momento em que se discute sobre a “Escola sem Partido”, alguém podia lançar uma bandeira pela “Imprensa sem Partido”.

De qualquer forma, não há qualquer fundamento no posicionamento de Veja e Carta como dois lados de uma mesma moeda. Desde as suas sucessivas capas até o seu conteúdo interno e virtual, a Veja se tornou, já faz vários anos, um claro panfleto finalístico, que tem como escopo ferir tudo que seja progressista e, especialmente, o Partido dos Trabalhadores.

Onde estaria, então, a diferença em relação à Carta Capital, que é muito crítica em relação ao PSDB e demais partidos mais conservadores? A diferença está em diversos aspectos: a) a frequência das críticas; b) o nível de agressão; c) o rigor das informações transmitidas; etc.

A Veja critica o PT ou elogia os seus adversários praticamente todas as semanas. Ela é alvo frequente de ações judiciais bem sucedidas. Diversos dos seus conteúdos foram comprovados falsos. Deste modo, seguindo os critérios acima, o seu grau político-ideológico beira (ou ultrapassa, para muitos) as margens da má fé e da manipulação.

Situação interessantíssima aconteceu com Rodrigo Constantino, aquele que provavelmente foi o mais lido da Veja por um bom tempo e depois foi despejado por ela sob acusações de ser um lunático agressivo. Sem dúvida que essa foi uma das melhores avaliações já feitas pela Veja, mas porque demorou tanto? Diz-se que os números de leitores estavam péssimos.

Nas gravações telefônicas de Lula divulgadas na imprensa, em dado momento ele aparece comentando que encomendaria um texto à Carta Capital falando bem dele e do PT. Não sejamos ingênuos. É óbvio que isso acontece com frequência na imprensa do Brasil e do exterior, infelizmente. A questão principal é o que se coloca, de fato, no texto: se algo pouco ou muito justificável, ou, pior ainda, se algo fabricado.

A Carta Capital revela infinitamente menos casos de fatos desmentidos do que a Veja e uma abertura político-ideológica muito maior, ainda que não completa.

Este mesmo Autor escreve com frequência para a Carta Capital e tem publicado textos críticos aos governos Lula e Dilma, ao PT e ao que se pode chamar de esquerdas radical e desinformada. Quantos artigos da Veja já criticaram o governo FHC, o governo Serra em São Paulo ou o atual governo Alckmin?

O website da Carta Capital, sobretudo, tem sido um veículo de grande difusão de informações e ideias progressistas, revelando muito mais heterogeneidade do que em momentos anteriores.

Pelo brevemente exposto em face dos limites de linhas que um texto como este impõe, porém haveria muito mais a ser dito, uma comparação mais próxima com a Veja deveria se dar com esses blogs do tipo Pragmatismo Político, Brasil 247, Revista Fórum e afins. No entanto, mesmo assim, haveria discussões sérias sobre a possibilidade de colocá-los no mesmo lado de uma moeda.

Curiosidades:

Vide “Arquivo para mentiras de veja”, do Pragmatismo Político: http://www.pragmatismopolitico.com.br/tag/mentiras-de-veja

Vide notícia do Brasil 247 sobre derrota da Veja para o PT por 7 a 0 no TSE: http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/154782/Veja-perde-de-7-a-0-no-TSE-e-irá-reparar-dano-ao-PT.htm

Vide notícia da Revista Fórum, publicada à época do falecimento de Roberto Civita, que trata um pouco da trajetória da revista: http://www.revistaforum.com.br/mariafro/2013/05/29/quem-criou-a-veja-foi-mino-carta-quem-transformou-a-veja-num-folhetim-ficcional-foi/

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s