O apocalipse econômico-financeiro está próximo? Podemos evitá-lo.

Desde o ano passado, diversos especialistas vêm falando na possibilidade de uma nova crise econômico-financeira, que seria, em verdade, mais uma onda da crise de 2007-2009, da qual a grande maioria dos países ainda não se recuperou.

As crises atingem os países de diferentes formas, pois os efeitos são sentidos de acordo com as características deles. No caso da crise iniciada em 2007 nos Estados Unidos, por óbvio este país foi o primeiro a sofrer e, por sinal, ele já vinha com problemas econômicos desde antes, o que gerou o aumento da inadimplência do setor imobiliário e a explosão da bolha juntamente com os derivativos apoiados nela.

Os países da Europa sofreram quase automaticamente, mas o agravamento foi acontecendo ao longo de 2008 e teve seu ápice, para muitos países, em 2009. O Brasil, que vinha com um desempenho fantástico desde 2004 no governo Lula (5,7%, 3,2%, 4%, 7%, 6%, 5%), entrou em recessão em 2009 (-0,2%)  e depois voltou ao seu desempenho anterior em 2010 (7,6%) e 2011 (3,9%).

A realidade é que, apesar das informações vendidas pela imprensa brasileira até recentemente com o intuito de derrubar o governo Dilma, a economia mundial não se recuperou até hoje.

Nos últimos anos, o sistema financeiro de inúmeros países voltou a vender derivativos podres, como vinha fazendo antes da crise, o que foi a sua principal causa, juntamente com o excesso de crédito. A exposição hoje de alguns bancos americanos já é enorme novamente, havendo um total descolamento entre o seu crédito financeiro e a economia real.

Como é amplamente sabido, os bancos, na maior parte do mundo, não costumam ter escrúpulos e vendem desde produtos podres até fraudes mesmo. A gigante americana Wells Fargo vem sendo alvo de investigação e há um vídeo curioso circulando na Internet de uma manifestação da Senadora dos Democratas e ex-professora de Harvard, Elizabeth Warren, colocando o presidente da instituição financeira em seu devido lugar: http://edition.cnn.com/videos/cnnmoney/2016/09/21/elizabeth-warren-wells-fargo-ceo-cnnmoney.cnn/video/playlists/money-and-politics/

A maior preocupação, e onde a explosão pode acontecer primeiro, é, no entanto, na Europa, mais precisamente na super poderosa Alemanha, hoje com o quarto (4o) maior PIB do mundo, apesar de ser menor em extensão do que o Estado da Bahia.

Estima-se que o Deutsch Bank tenha hoje mais de 50 trilhões em derivativos transacionados, e que boa parte seja podre. Isso equivale a 20 vezes a economia da Alemanha inteira e quase 4 vezes todo o PIB da Zona do Euro.

As crises vêm para nos fazer mudar. O problema é que, aparentemente, quase nada foi aprendido com a crise de 2007-2009, ou melhor, muito se aprendeu, mas pouco se admite e quase nada se coloca em prática. A ganância continua dominando as tomadas de decisões, assim como antes, e o Deutsch Bank poderá ser o Lehman Brothers (gigante banco americano que quebrou e foi um dos estopins da crise) da vez.

Enquanto não se reestruturar as instituições e não se criar políticas mais inclusivas (sugiro a leitura do texto de Joseph Stiglitz traduzido neste blog), que reduzam as desigualdades e regulem melhor o poder econômico-financeiro, especialmente o setor das instituições financeiras, o mundo viverá de crise em crise.

Talvez, a próxima crise seja tão grave que não haja outra saída senão mudar. Basta uma conjunção de fatos políticos e/ou econômicos para o apocalipse se desvelar. Torçamos para que isso não precise acontecer e para que os homens no poder (político e econômico) decidam mudar os rumos primeiro.

 

 

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