Quem achou que o país iria melhorar após o impeachment errou feio na avaliação

A dúvida que fica é: quantos realmente acreditavam que iria melhorar e quantos apenas falavam “da boca pra fora”, mas com o real e único intuito de convencer os demais?

Era evidente que a crise apenas se aprofundaria com um impeachment sem fundamento jurídico, ou seja, sem crime de responsabilidade, conforme havia alertado em texto publicado na Carta Capital (http://www.cartacapital.com.br/politica/impeachment-processo-juridico-e-ou-politico), e com a chegada ao poder do que há de pior na política do país.

Caso a farsa houvesse sido mais bem protegida, talvez a maior parte da população continuasse manipulada até hoje, porém posicionamentos do próprio Ministério Público e da perícia do Senado, e até manifestações explícitas de apoiadores do impeachment no sentido de que era tudo uma questão política, destruíram a já pouca solidez que a ideia do impeachment tinha alguns meses atrás.

Tive a oportunidade de fazer essa avaliação em texto publicado também na Carta Capital (http://www.cartacapital.com.br/politica/impeachment-como-cada-senador-escrevera-o-seu-nome-na-historia), no qual previa reações estrangeiras negativas e aprofundamento da crise.

Hoje, em reunião da ONU, delegações de seis diferentes países retiraram-se quando Michel Temer foi apresentado. Diversas notícias brasileiras e estrangeiras dão conta de que praticamente todos os demais países têm restrições em relação a ele, mas apenas tentam não demonstrar explicitamente. Os chefes de Estado evitam o atual Presidente brasileiro, assim como evitaram ao não comparecerem, em sua imensa maioria, às Olimpíadas.

Internamente, toda a base atual do governo Temer (PMDB, PSDB, DEM, PP…) busca a volta do financiamento empresarial e anistia para aqueles que praticaram caixa 2 no passado.

E você achando que estava lutando contra a corrupção, hein?

Em texto publicado aqui no Blog no final de semana, o maior economista do mundo hoje, Joseph Stiglitz, diz que alguns dos passos para uma boa performance econômica são: a) tributação bem progressiva; b) fortalecimento dos direitos trabalhistas e dos sindicatos; c) boa regulação do setor financeiro; e d) mais investimento em educação.

Em outras palavras, ele manda o Brasil fazer tudo ao contrário do que faz hoje no que toca a “a” e “c”, mas não há qualquer mínimo sinal de mudança por aqui, e tudo ao contrário do que o governo Temer propõe hoje quanto a “b” e “d”.

E você achando que estava lutando por um governo capaz de desenvolver o país, hein?

 

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2 comentários sobre “Quem achou que o país iria melhorar após o impeachment errou feio na avaliação

  1. Grande Marcos, estou com sua tese de doutorado aqui tentando entender como escrever sobre o direito tributário a partir (ou pelo meio) do viés mais pragmático. Impressionante sua competência, realmente, romper com velhos paradigmas é um esforço de vida. Estamos na luta! Parabéns!

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