A Economia Padrão está errada, por Joseph Stiglitz (Oitava e última parte)

Redefinindo a performance econômica

Nós costumávamos pensar que havia um trade-off (troca): nós poderíamos atingir mais igualdade, mas somente às custas de toda a performance econômica. Está agora claro que, dados os extremos de desigualdade sendo atingidos em muitos países e dada a maneira pela qual eles foram gerados, maior igualdade e uma melhor performance econômica são complementos.

Isso é especialmente verdadeiro se nós focamos em medidas apropriadas de conhecimento. Se nós usamos as métricas erradas, nós lutaremos pelas coisas erradas. Como a internacional Comissão de Medição de Performance Econômica e Progresso Social argumentava, há um crescente consenso global de que o PIB não fornece uma boa medida de toda a performance econômica. O que importa é se o crescimento é sustentável, e se a maioria dos cidadãos vê o seu padrão de vida aumentando ano após ano.

Desde o começo do milênio, a economia dos Estados Unidos, e aquelas da maioria dos países avançados, não vem claramente desempenhando bem. De fato, por três décadas, as rendas médias reais têm essencialmente estagnado. Na verdade, no caso dos Estados, os problemas são ainda piores e estavam manifestos bem antes da recessão: nas últimas quatro décadas, os salários médios estagnaram, mesmo apesar da produtividade ter crescido drasticamente.

Como este estudo enfatizou, um fator chave por trás das dificuldades econômicas atuais dos países ricos é a desigualdade crescente. Nós não precisamos focar no que está acontecendo na média – como o PIB nos leva a fazer – mas em como a economia está desempenhando para o típico cidadão, refletido, por exemplo, na renda média disponível. As pessoas se importam com a saúde, com a equidade e a segurança, e, ainda assim, as estatísticas do PIB não refletem a queda delas. Uma vez que esses e outros aspectos do bem-estar social sejam levados em conta, a performance recente nos países ricos parece muito pior.

As políticas econômicas requeridas para mudar isso não são difíceis de identificar. Nós precisamos de mais investimentos em bens públicos; melhor governança corporativa, leis anti-truste e anti-discriminatórias; uma melhor regulação do setor financeiro; direitos trabalhistas mais fortes; e políticas de tributação e transferência mais progressivas. Reescrevendo as regras que governam a economia de mercado nesses sentidos, é possível atingir uma maior igualdade na distribuição de renda tanto da pré- quanto da pós-tributação e transferência e, a partir daí, uma performance econômica mais forte.

 

Adaptado (com permissão) de Rethinking Capitalism: Economics and Policy for Sustainable and Inclusive Growth, editado por Michael Jacobs e Mariana Mazzucato, (Political Quartely Monograph Series), WILEY Blackwell.  

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